Existir cansa?

23 Outubro, 2007

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“Tenho dó das estrelas,

Luzindo há tanto tempo,

Há tanto tempo…

Tenho dó delas.

Não haverá um cansaço

Das coisas,

De todas as coisas,

Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,

De ser,

Só de ser,

O ser triste brilhar, ou sorrir…

Não haverá, enfim,

Para as coisas que são,

Não a morte, mas sim

Uma espécie de fim,

Ou uma grande razão –

Qualquer coisa assim

Como um perdão?”

Fernando Pessoa

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