Até quando
10 Abril, 2009

Hoje combinamos
De nos amar
Só até ontem
Foto: paperladyinvites
Café da manhã
10 Abril, 2009
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Meus sonhos
São manteiga que funde
Derretida
No pão quente
Da tua loucura
Foto: Stella Dauer
Pequeno momento em dúvida
16 Março, 2009

Por que me fazes falta
Se cheguei ao mundo
Sem tua presença?
Foto: Walala Pancho
Mouth
26 Setembro, 2008

Foto: Mazarin
Põe tua boca
Pra brincar comigo
Deixa ela solta
Pra me fazer cócegas na alma
Põe tua boca livre
Molhada com teu eu
A me fazer promessas inventadas
Dessas que se acredita desacreditando
Traz tua boca aqui
Ela pede diversão com minha língua
Quer apostar corrida, esconde-esconde
Lutar com sabres imaginários de luz
Brinca tua boca
Fazendo firulas em meu pescoço
Contando histórias inventadas às pressas
Cuidadosamente detalhadas
Pra me fazer rir
Deixa tua boca comigo
Quero bebê-la de vez em quando sempre
Molhar minha vida em tua saliva
Ter companhia para me descobrir
Amor estragado
5 Agosto, 2008

Hoje encontrei teu cheiro
Numa t-shirt amarela
Perdida em meu armário
Tinha o odor embolorado
Ocre musguento e fétido
De amor esquecido há tempos
Na geladeira
Foto: Ben’s Foto
Em ruínas
3 Junho, 2008
Eu não queria trocar de casa
Desta casca que ajudaste a crescer ao meu redor
Não abandono apenas portas e janelas
Ou memórias em vidro temperado do banheiro
Ficarão esquecidos nossos cheiros
Risadas
Sussurros gritados na madrugada
Sobrarão tombados
Cumplicidades com as paredes
Som de nossos cheiros nos degraus da escada
O gosto amarfanhado do teu acordar
Todos os cafés da manhã que nunca preparamos juntos
Pastel de queijo fechado a duas línguas
Luas de conversas com o sofá
Não saio apenas de uma casa
Soterro com decidido destempero
Um novo início de vida
Eu te amo
22 Janeiro, 2008

Eu te amo e a frase ecoa segundos afora
Eu te amo e tudo se solucionará
Eu te amo e faço dessas minhas últimas palavras
Eu te amo e teu cheiro brinca em minhas mãos
Eu te amo e quero que tudo mais vá para o inferno
Eu te amo e as sílabas sibilam, revoltam-se, rebolam em minha língua
Eu te amo e sinto todos os pesares, as culpas, as faltas que cometi
Eu te amo e teu corpo é café da manhã que devoro sem pressa
Eu te amo e acendem-se as luzes do cinema barato que freqüento às terças
Amor envasado
16 Novembro, 2007

Preciso do teu cheiro
Engarrafado em vidro
Embalagem Tetra Park
Vale até invólucro cartonado
Ou matéria plástica
A única exigência
É que seja a granel
Existir cansa?
23 Outubro, 2007
“Tenho dó das estrelas,
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar, ou sorrir…
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma espécie de fim,
Ou uma grande razão –
Qualquer coisa assim
Como um perdão?”
Fernando Pessoa

